T.O. Patrícia de Oliveira

Patrícia de Oliveira é Terapeuta Ocupacional e Diretora da Maxximiza Soluções em Inclusão e Acessibilidade. Ela contribuiu para a nossa Seção Ponto de Vista com um texto sobre a importância da inclusão no mercado de trabalho para as pessoas surdas, sinalizadas e oralizadas. Confira a seguir o depoimento de Patrícia.

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“O mercado de trabalho para a pessoa surda

A inclusão da pessoa surda no mercado de trabalho ainda é algo complexo, vamos assim dizer, para ambos: empresa que precisa contratar pessoas com deficiência e para a pessoa surda.

Complexo quando pensamos que existe uma grande falta de informação real e consistente, gerando dificuldade para as empresas e os departamentos de RH quanto ao entendimento sobre a cultura surda, os tipos de surdez e as exigências da lei para a caracterização da deficiência auditiva.

Conforme o Decreto 5296/04 em seu cap. II, art. 5°, é caracterizado pessoa com deficiência auditiva aquela com perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibels (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.

A dificuldade para as empresas na comprovação da deficiência auditiva junto ao Ministério do Trabalho e Emprego já começa na emissão dos laudos e exames audiométricos, que muitas vezes estão incompletos e deixam dúvidas sobre a caracterização documental exigida.

Em muitos laudos, na sua grande maioria, não são discriminados os decibels encontrados em cada ouvido, esquerdo e direito, nas frequências exigidas em lei, o que gera muitas dúvidas e acaba impedindo que a pessoa com surdez tenha acesso ao mercado de trabalho.

Por outro lado, percebemos que muitas empresas não contratam as pessoas surdas alegando que não existe alguém na empresa que fale a Língua Brasileira de Sinais, ficando assim a comunicação prejudicada ou inviável.

Não queremos aqui defender que esses sejam os requisitos para que a pessoa surda tenha acesso ao mercado de trabalho, mas apenas pontuar que ainda existem profissionais de Recursos Humanos que desconhecem essas possibilidades, a cultura surda e as exigências da lei em oferecer a acessibilidade comunicacional, seja ela por meio de intérprete de LIBRAS presencial, intérprete à distância ou através de um aplicativo.

O ideal é que os profissionais da área de Recursos Humanos possam se qualificar em Língua Brasileira de Sinais e entendam isso como um investimento na carreira profissional, que será um grande diferencial na comunicação com o colaborador surdo sinalizado contratado ou a ser contratado.

Além disso, o departamento de Recursos Humanos pode incentivar seus colaboradores para também investirem e se qualificarem na Língua Brasileira de Sinais, promovendo sensibilizações, convidando pessoas surdas para darem depoimentos, e assim desmistificando qualquer preconceito e aproximando culturas.

Verificamos também que existe um desconhecimento sobre a possibilidade da pessoa surda ser oralizada, de realizar leitura labial e de se comunicar por escrito.

Outro desconhecimento é acerca do surdo implantado, ou seja, surdo oralizado que faz uso de Implante Coclear. Nem todo surdo faz uso da Língua Brasileira de Sinais e nem todo surdo oralizado fez Implante Coclear.

A pessoa surda pode e deve escolher se deseja usar a Língua Brasileira de Sinais para se comunicar ou se deseja ser oralizado, com ou sem Implante Coclear, ou de fazer uso ou não de aparelhos auditivos. Assim como uma pessoa que sofreu uma amputação pode querer ou não ser protetizada, ou seja, fazer uso de uma prótese para substituir o membro amputado.

A inclusão precisa ser encarada como um processo natural e que não tem volta. A direção é para frente, avançando cada vez mais em conhecimento, acessibilidade e gestão de pessoas com deficiência, ou melhor, gestão da diversidade humana no trabalho.

A perda da audição não deve ser um fator de exclusão, de solidão, de silêncio, isolamento, nem tão pouco de cegueira das habilidades e direitos que esses profissionais também possuem. Deve ser encarada como mais um desafio da empresa e de seu time para vencer esse e qualquer outro desafio quando falamos de um time competitivo, inovador e altamente criativo.

O ser humano sempre apresentou muita dificuldade em lidar com mudanças, mas algumas delas são realmente encantadoras e fortalecedoras, para aqueles que possuem a coragem e a ousadia de sair do lugar rumo a novos horizontes!

Patrícia de Oliveira”.

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