Fga. Gisela Formigoni

Gisela Maria Pimentel Formigoni é fonoaudióloga especialista em Audiologia Educacional, com aperfeiçoamento em Implante Coclear, e co-autora dos livros “Audiologia Educacional: Uma Opção Terapêutica para a Criança Deficiente Auditiva”, “Deficiência Auditiva: Conversando com Profissionais e Pais” e “Tratado de Audiologia 2011”. A seguir, está o seu depoimento, na íntegra, sobre o papel da Fonoaudiologia na reabilitação de pacientes com deficiências múltiplas (escrito para a reportagem da ADAP sobre o tema).

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“Meu nome é Gisela Formigoni, especialista em Audiologia Educacional, com especialização em Implante Coclear. Trabalho com pacientes implantados há 20 anos, tendo começado no Centro de Pesquisas Audiológicas, USP/Bauru. No decorrer desses anos, atendi mais de oitenta pacientes implantados, muitos deles com outras deficiências associadas.

A bibliografia internacional descreve que, de 35% a 40% dos deficientes auditivos, apresentam múltiplas deficiências. Podendo ser casos com fator neurológico ou déficit cognitivo, alterações emocionais, autismo, síndromes e outros. Há casos em que o paciente pode apresentar duas ou mais deficiências associadas.

Esses pacientes necessitam de um atendimento especializado realizado em parceria com outros profissionais, um trabalho com uma equipe multidisciplinar. No atendimento clínico, o meu foco como fonoaudióloga, dentro da Audiologia Educacional, visa ao desenvolvimento da função auditiva e a aquisição e desenvolvimento da linguagem oral. A estimulação é realizada dentro da proposta da abordagem aurioral, que prioriza o uso da audição. Mesmo que o paciente tenha outras dificuldades associadas, inicialmente priorizamos o uso da audição, tentando desenvolver ao máximo o seu resíduo auditivo.

Em casos com neurológico associado, através do uso do Implante Coclear, temos obtidos bons resultados na maioria dos casos. Somente partimos para o uso de outras abordagens terapêuticas, tais como a abordagem multisensorial, pranchas de comunicação alternativa e a LIBRAS, quando o paciente não apresenta evolução da função auditiva e da linguagem oral. Sempre trabalhamos em parceria com a equipe que atende o paciente. No caso dos pacientes neurológicos, realizamos o trabalho junto com toda a equipe que o atenda, como neurologista, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo. Existe também a necessidade de um trabalho de orientação escolar, orientação essa realizada por toda a equipe.

Com pacientes com déficit cognitivo, o procedimento é semelhante, dependendo das necessidades e da demanda de cada caso. Nos pacientes com autismo, há a necessidade de um trabalho muito próximo com a psicóloga e com o psiquiatra. Priorizo o uso da audição como principal estratégia de comunicação nesses casos, porém, se o paciente não apresentar respostas satisfatórias no processo terapêutico, devemos pensar no uso de outro tipo de abordagem.

Cada caso necessitará ser avaliado constantemente dentro do processo terapêutico. O planejamento não é linear, pois as demandas podem mudar a cada momento. É importante estarmos atentos às necessidades do paciente e realizarmos as alterações e orientações que sejam necessárias, visando ao melhor para o desenvolvimento do caso.

Vale lembrar que a presença dos pais ou dos responsáveis, dentro das terapias, é necessário e fundamental para o melhor desenvolvimento do paciente. Pois o tempo de terapia semanal equivale a apenas 2% do tempo em que o paciente está acordado. Existe então a necessidade de que a família realize a estimulação no dia a dia para viabilizar uma boa evolução.

Gisela Formigoni”.

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