A história de Virgínia Eleta Souza e Sousa

A convidada de hoje na Coluna ADAP é a implantada Virgínia Eleta Souza e Sousa, moradora de Piratininga/SP. Virgínia nos conta, em um relato emocionante, um pouco de suas experiências com a Otosclerose e de seus momentos marcantes após a cirurgia de Implante Coclear. Confira a seguir!

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“Fui convidada para deixar meu depoimento aqui pela querida Ana Raquel, e é uma honra poder partilhar um pouco da minha história. Tenho 51 anos e minha surdez foi diagnosticada desde a infância. Surdez ocasionada por otosclerose precoce, inicialmente moderada no ouvido direito e severa no esquerdo. Além de um problema fisiológico: os médicos explicavam que tenho a boca rasa e o canal que passa da garganta para o nariz tem um tamanho maior, e isso provoca um grande desconforto em certos momentos.

Tive uma infância até que tranquila no que tange às dificuldades ocasionadas pela surdez. Adaptei-me tranquilamente às dificuldades. Aprendi desde cedo que tinha uma limitação, mas que ela não deveria intervir em minhas atividades cotidianas. No período escolar, fui ganhando confiança e sempre tive iniciativas de solicitar os primeiros lugares, e também sempre solicitava que os queridos mestres repetissem algo que não tivesse ouvido. Dessa forma, conclui o segundo grau com muita paz.

Então, me decidi a seguir a vida religiosa. Tudo fiz aí também com muita naturalidade, sempre deixando claro que tinha uma necessidade especial no quesito ouvir. Foi então que tive minha primeira decepção. Quando me sentia muito feliz pela escolha que havia feito e pensava dar os próximos passos para minha consagração, recebi a notícia, de nossa superiora, que não poderia seguir aquele caminho porque era surda. Foi grande a dor. Ganhei uma marca profunda em meu jovem coração. Graças à minha família, minha fé, superei e continuei minha caminhada. Fui aceita em outra congregação, essa com cunho franciscano. Posso dizer que o amor, acolhida de então, curou-me as feridas. Porém, não era esse o desígnio de Deus para minha vida.

Deixei a vida religiosa, comecei a trabalhar, casei. Meu marido sempre me aceitou como sou e fomos vivendo a vida com muitos sonhos. Então, comecei a me preocupar mais com a perda auditiva, apesar da perda se manter estável. Pensava que iria ter filhos e necessitaria ouvir mais e melhor para lhes atender. Comecei a usar então o AASI e a fazer acompanhamento no CEDALVI, setor do Centrinho/Bauru. Sou mãe, mas pela bênção Divina, meus filhos são muito bons ouvintes. Sou o caso da mãe surda. Isso me tornou diferente, mas essa diferença tornou-me uma pessoa melhor, forte, destemida. Por ela, tive ganhos pessoais incalculáveis.... Ser uma mãe surda me fez diferente, mas proporcionou a mim um crescimento impar.

Quando meus filhos nasceram, foram também avaliados e acompanhados ali. Graças a Deus, não herdaram a minha surdez. E foram crescendo cientes da minha dificuldade, e sempre com muito respeito por minha realidade. E inusitadamente têm atitudes relacionadas à minha surdez, que só me fazem orgulhosa. Com a chegada dos 40 anos, percebi que estava em declínio auditivo. Fui encaminhada ao CPA, Centro de Pesquisas Audiológicas, do Centrinho e comecei a ser avaliada quanto à possibilidade de fazer um Implante Coclear. 

Em agosto de 2013 fui implantada, do lado esquerdo, porém, devido a intercorrências pós cirúrgicas, tive que retirar o imã. Tentamos por duas vezes recolocar, sem sucessos. Continuei meu acompanhamento. Nessa época, eu fazia um curso superior, à distância, já que presencialmente não daria conta. Concluí, com 50 anos de idade, um dos meus grandes sonhos: ter um curso superior. Isso me possibilitou assumir interinamente a Secretaria Municipal de Saúde. Foi também um importante marco em minha história, haja visto que, em uma situação interna no trabalho, fui questionada por uma médica sobre o que seria capaz de fazer... Servir cafézinho? Pois bem, ela me viu ser a Secretária de Saúde. Não precisei provar nada.

Fonos, médicos, toda equipe do CPA não desistiram de mim. Graças a Deus! Em outubro de 2015, fui convidada a fazer novo Implante, dessa vez no ouvido direito. Sempre tive receio de apostar nesse ouvido, apesar de estar com perda severa/profunda, tinha um pequeno ganho com o AASI. E era tudo o que tinha. Confiei-me inteiramente à vontade Divina. Deixei que Deus me guiasse. Pedi que assumisse a cabeceira no centro cirúrgico... E fui... 35 dias de surdez total e muito receio... O humano que há em nós deixa-nos temerosos, ainda que confiantes e certos dos cuidados de Deus.

Enfim, em 25 de novembro de 2015, ativamos! Que alegria! Toda a família festejou comigo, porque nesse tempo todos estiveram ao meu lado, apoiando, ajudando, orando... Desde então, os dias me são de surpresas constantes. Vitórias. Fonoterapias... Sinto tanta naturalidade em ouvir, que já me peguei esquecida de ser implantada... Ouvir ditarem um texto enquanto dígito, foi a primeira grande surpresa. Isso com apenas 20 dias de ativada. Com 40 dias, consegui falar novamente ao telefone. Claro, com pessoas conhecidas. Conversas sem necessidade de interromper o que estou fazendo para fazer a leitura labial têm surpreendido colegas de trabalho, amigos, família. E por ai vai... Outro prazer que recuperei foi de ouvir músicas novamente... Desde a década de 80 me privava disso.

Minha memória auditiva é recente, isso ajuda muito! Foram ao todo cinco cirurgias, sempre com muita confiança, e digo que valeu a pena, Deus simplesmente provou o grande amor que tem por mim! Digo aos pais que, quanto mais naturalidade vocês dedicarem a seus filhos surdos, menores serão os traumas que eles enfrentarão na vida. A quem vislumbra o Implante Coclear, não tenha medo. Quanto mais cedo fizerem, melhor será a adaptação.

Obrigada, Ana Raquel, por me permitir esse depoimento. Muito me emociono colocando em palavras os meus sentimentos!

Por Virgínia Eleta Souza e Sousa”.

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