33 - O que é o Implante Coclear Híbrido?

Implante Coclear Híbrido

* Matéria publicada em setembro de 2014.

Apesar dos inúmeros benefícios trazidos pelo Implante Coclear, sabe-se que nem todas as pessoas com uma perda auditiva significativa têm indicações para o uso deste aparelho. Isto porque, nas deficiências auditivas em que a cóclea do paciente esteja com um bom índice de preservação das células ciliadas, os eletrodos (componente interno do IC), ao serem inseridos lá, ocasionam a destruição destas células e, consequentemente, levam à perda da audição residual natural da pessoa.

Como as células ciliadas da audição encontram-se distribuídas na cóclea de acordo com a função de captação do som (as responsáveis pelos sons agudos, frequências altas, ficam logo no começo, já as dos graves, frequências baixas, no final), em meados dos anos 2000 foi desenvolvido um novo tipo de Implante Coclear, voltado para as pessoas que possuem uma perda auditiva severa ou profunda nas frequências sonoras da fala (sons agudos), mas que têm a área coclear dos sons graves mais preservada (com perda entre moderada à severa), com perfil audiométrico “em rampa”, como mostra o exemplo de audiometria ao lado.

Surgiu então o Implante Híbrido, cujo feixe de eletrodos é menor e mais fino, para que alcance apenas a região do começo da cóclea. Seu processador externo leva o nome de “híbrido” porque contém, em um mesmo aparelho, as funções de IC e AASI. Os sons agudos são estimulados eletricamente, como em um Implante Coclear convencional, e os sons graves, cuja região coclear está livre do feixe de eletrodos, é estimulado acusticamente, com a amplificação dos sons e a transmissão deles para a orelha através de um molde auricular, como nos AASI comuns. Por este motivo, o tipo de funcionamento do Implante Híbrido também é conhecido como “estimulação eletroacústica”.

Silvana Neves dos Santos, implantada há dois anos com um IC Híbrido, conta um pouco sobre as suas dificuldades auditivas e porque foi indicada a esse tipo de Implante. “Na verdade, só percebi que não ouvia sons agudos na adolescência. Para mim, era normal não ouvir a campainha, telefone fixo e nem entender as letras das músicas. Embora eu tivesse uma boa discriminação, minha perda era em rampa, ouvia sons graves, mas os agudos não. Com o tempo, minha discriminação auditiva foi diminuindo e eu comecei a perder dicção. Foram anos indo ao otorrinolaringologista e tentando usar o AASI, mas eu não tinha ganho nenhum. Então fui em outro médico e ele optou pelo IC Híbrido para poder preservar o que desse dos sons graves. Agora, já consigo conversar sem depender tanto da leitura labial, desde que não tenha muito barulho”, diz.

A tecnologia complexa e seus riscos

Pela complexidade do IC Híbrido, apenas duas empresas o disponibilizam no Brasil, a Med-El, pioneira no ramo (que já está na 2ª Geração de seu processador DUET), e a Cochlear, com seu Nucleus HYBRID. Mas, apesar de todos os cuidados médicos e tecnológicos, as chances de sucesso deste tipo de cirurgia ficam em torno de 50% a 70% (por chance de sucesso, neste caso, entende-se como sendo a implantação com a preservação de todos os resíduos auditivos do paciente). Quando ocorre a perda da audição residual, o implantado terá que trocar o processador Híbrido para o processador comum de IC. Apesar do eletrodo Híbrido ser mais curto, sua ativação como um Implante Coclear normal costuma oferecer bons resultados.

Este foi o caso da implantada Alice Boita, conforme ela mesma relata o que houve durante a sua cirurgia do Implante Híbrido. “Eu tinha resíduos auditivos que poderiam ser úteis com o IC Hibrido. Mas depois o médico optou pelo processador de IC normal, porque, durante a cirurgia, eu perdi todos os resíduos auditivos que tinha. Eu nem sabia que isso poderia ocorrer, mas estou muito bem com o IC normal, se não fosse ele, hoje eu não conseguiria mais escutar”, conta.

Conclui-se então que o sucesso da cirurgia e da adaptação de um Implante Coclear Híbrido depende de vários fatores, sendo sua utilização mais comum em casos de surdez pós-lingual. Porém, aqui também apresenta-se exceções, como nos mostra o depoimento da adolescente Melissa Peres, que tem surdez pré-lingual e foi implantada com um IC Híbrido aos 13 anos de idade.

“Minha causa de perda de audição é aqueduto vestibular alargado. Desde pequena, eu tinha dificuldades para ouvir. Falava muito alto, deixava a TV com volume alto também. Quando eu tinha seis anos, minha mãe notou que havia algum problema, e como ela era secretária em uma clínica de fonoaudiologia, tive acompanhamento desde então. E, de lá pra cá, a perda de audição vinha aumentando. A cirurgia foi feita ano passado, dia 4 de fevereiro, e a ativação aconteceu 40 dias depois, em março. Minha adaptação eu acho que foi bastante rápida. Melhorou muito. Consigo distinguir muito mais sons, até mesmo alguns que eu não ouvia antes. Mas ainda tenho bastante dificuldade, como falar ao telefone e assistir filmes dublados. Dependo bastante da leitura labial em ambientes abertos e barulhentos, mas em ambientes fechados e com pouco barulho, estou conseguindo entender cada vez mais sem o apoio da leitura labial”.

 

* Fontes das imagens: Ned Ver Audiologie, Med-El e arquivo pessoal da entrevistada.

 

Por Ana Raquel Périco Mangili.

Guia
Tech 4 Health
Vantagens

Faça sua doação

Contatos
Telefones:

(14) 3226-3388 (14) 3202-6091 (14) 3202-6092


Email:

Adap © 2019 - Todos os direitos reservados