36 - O que é o Implante Carina?

Implante Carina

* Matéria publicada em junho de 2014.

Uma das novidades relacionadas à área de saúde auditiva e que costuma gerar dúvidas aos usuários de Implante Coclear é o Implante Carina. Aprovado pela ANVISA em junho de 2011 (apesar de ser utilizado desde 2008 na Europa), o aparelho, que foi adquirido pela empresa Cochlear e é comercializado no Brasil pela Politec, foi resultado de mais de 30 anos de pesquisas com vistas a viabilizar um AASI (Aparelho de Amplificação Sonora Individual) totalmente implantável sob a pele humana. Assim, além de favorecer a questão estética por ser um equipamento “invisível”, o Carina é indicado para quem tem alergias extremas ou outros impedimentos no conduto auditivo ou que não se adapta à sensação de oclusão ocasionada pelos moldes dos AASI convencionais. Por se situar embaixo da pele, o novo aparelho também é à prova d’água, e o paciente o utilizará 24 horas por dia. 

O Carina é composto de três partes: um microfone de alta tecnologia (que capta os sons, mesmo estando sob a pele), um processador digital (que recebe os sons, os amplifica e os transforma em energia mecânica) e um transdutor (que transmite a energia mecânica à orelha média, simulando o processo natural da audição). A cirurgia dura cerca de duas horas e consiste em um pequeno corte atrás da orelha, onde se alojará o processador, além de também acoplar o transdutor em um dos ossículos da audição, não alterando em nada a anatomia do sistema auditivo (sendo, portanto, uma técnica reversível). Após oito semanas da cirurgia, é realizada a ativação e a programação do Carina, semelhante a um AASI comum.

O aparelho funciona com uma bateria interna, que dura cerca de 12 horas e é recarregada com uma bobina e um carregador que pode ser acoplado à orelha implantada (foto acima). A recarga dura cerca de 45 minutos, porém, o tempo de vida útil da bateria é de 15 anos. Após esse período, é necessário fazer uma nova cirurgia (mais simples que a primeira) para trocar a fonte de energia. As únicas restrições ao usuário do Carina é a proibição de fazer exames de ressonância magnética e evitar passar por campos magnéticos ou detectores de metais (o aparelho deve ser desligado nessas situações).

O Implante Carina é indicado para deficientes auditivos acima de 14 anos, com perda de grau moderada até severa, do tipo condutiva, neurossensorial ou mista, que já tenham utilizado os AASI convencionais e possuam boa discriminação de fala. É uma técnica cara (em torno de 20 a 50 mil) e não é coberta pelo SUS. Até fevereiro de 2012, havia cerca de 1300 pacientes implantados no mundo, e no Brasil, até abril de 2013 só havia oito cirurgias desse tipo realizadas. A primeira brasileira a utilizar o Carina foi uma mulher de 44 anos, operada com sucesso em fevereiro de 2012, no Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, em São Paulo.

Além do Carina, há outras duas marcas de aparelhos que realizam funções semelhantes: o Vibrant Soundbridge, da empresa Med-El, e o Esteem, da Envoy Medical. O primeiro é um aparelho semi-implantável (possui uma parte externa, assim como o IC) e que não é à prova d’água, e o segundo é totalmente implantável, mas sua cirurgia é mais invasiva (pois retira uma parte de um dos ossos da orelha média) e ainda está em processo de aprovação pela ANVISA.

Carina versus Implante Coclear – Dois equipamentos diferentes

Solucionando a principal dúvida no que diz respeito a essa nova tecnologia, afirmamos que o Implante Carina não substitui o Implante Coclear. O Carina possui configuração e potência interna semelhante às dos AASI comuns, e sua função é de amplificar os sons, ao contrário do IC, que auxilia no processamento e na codificação das mensagens sonoras. Perguntada sobre a qualidade do som do Carina, em comparação com a do IC, a fonoaudióloga Marcella Giusti ressalta algumas diferenças entre os dois aparelhos. “Não se pode afirmar que a qualidade de som do Carina é melhor e/ou pior que o transmitido pelo Implante Coclear. No entanto, vale ressaltar que trata-se de um dispositivo totalmente implantável, no qual o  microfone receptor também fica sob a pele, ele permite que os sons do meio ambiente sejam captados com qualidade, porém, pode permitir também a percepção dos sons internos do corpo (como da mastigação e circulação sanguínea)”, diz ela.

Ainda não existe no mercado um Implante Coclear totalmente interno, porém, há avanços, nesse sentido, por pesquisadores de três universidades dos Estados Unidos, a Universidade de Utah, o MIT e a Universidade de Michigan, além do Instituto Fraunhofer, na Alemanha. Protótipos e cirurgias experimentais em animais já estão sendo feitos por lá.

 

* Fonte da imagem: ouvidobionico.org.br

 

Por Ana Raquel Périco Mangili.

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