37 - O que é o Sistema FM? E o Sistema Roger?

Sistemas FM – Inovação no Ouvir

Nos últimos tempos, o campo dos avanços tecnológicos aplicados à saúde e à melhora da qualidade de vida vem se desenvolvendo num ritmo cada vez mais crescente. Entre as diversas pessoas que podem usufruir desses avanços está a categoria dos indivíduos com deficiência auditiva. Depois das conquistas do desenvolvimento de equipamentos básicos, que ampliam a capacidade auditiva de uma forma geral, como os AASI (Aparelhos de Amplificação Sonora Individual), o IC (Implante Coclear) e o Sistema BAHA, chegou a vez de dispositivos que permitem um melhor aproveitamento em situações sonoras específicas, como em uma sala de aula ou reunião de trabalho. Este é o caso dos Sistemas FM (Frequência Modulada) para Aparelhos Auditivos, Implantes Cocleares e Sistemas BAHA.

Os aparelhos auditivos convencionais e os Implantes Cocleares e BAHA, apesar de contarem com todos os avanços tecnológicos das últimas décadas, muitas vezes não conseguem reproduzir integralmente a capacidade natural da audição humana de distinguir, selecionar e compreender determinados sons, principalmente os da fala, em um ambiente ruidoso. E é exatamente nesse contexto que o uso de um Sistema FM se torna vantajoso e essencial, pois permite o enfoque e a amplificação das emissões da fonte sonora escolhida pelo usuário.

Esse dispositivo, composto de um transmissor e um receptor de frequência modulada, permite a transmissão de ondas sonoras diretamente da fonte emissora para os receptores auditivos, evitando as barreiras físicas e mecânicas pelas quais o som normalmente enfrentaria para chegar ao seu destino. O receptor de FM é acoplado nos respectivos aparelhos do usuário, e o transmissor geralmente costuma ficar próximo à fonte emissora de sons (que pode ser outra pessoa, equipamentos eletrônicos como TV e rádio, entre outros). Dessa forma, há um melhor aproveitamento das mensagens sonoras para os usuários deste equipamento, alcançando um melhor desempenho junto aos AASI, IC ou BAHA.

Os primeiros modelos dessa tecnologia datam de 1996 (época em que ainda estavam em fase experimental), e seu desenvolvimento e popularização no Brasil se deram principalmente na última década. Segundo Sandra Laranja, fonoaudióloga responsável pela franquia da Phonak em Bauru, atualmente o equipamento é indicado para qualquer usuário de Aparelhos de Amplificação Sonora Individual, de Implante Coclear ou de Sistema BAHA que apresente dificuldades para compreensão da fala em ambientes ruidosos. “Qualquer aparelho auditivo, de qualquer marca e modelo (Retroauricular, Intracanal, Microcanal), pode ser utilizado. Todos os modelos de IC também são compatíveis com o Sistema FM, através dos adaptadores ou sapatas”, afirma a profissional. Já Gabriela Fernandes, fonoaudióloga da empresa Starkey de São Paulo, também ressalta que não há contraindicações no uso do Sistema FM.

Sistemas FM e SUS, uma parceria necessária

O maior aproveitamento dos Sistemas FM pelos seus usuários se dá em ambientes escolares e de trabalho. De fato, se torna muito mais fácil o aprendizado para o aluno com deficiência auditiva quando os sons da fala de seus professores e colegas podem chegar de forma mais compreensível aos seus ouvidos. Pelo fato do preço de um Sistema FM, que varia entre R$7.000 a R$10.000, muitas vezes não ser acessível à grande parte da população brasileira, em junho de 2013 o Governo Federal incluiu o equipamento na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais fornecidos pelo SUS.

Para receber este aparelho através da Secretaria de Saúde e SUS, o usuário deve possuir entre 5 a 17 anos, fazer uso de AASI e/ou IC, estar matriculado regularmente em uma instituição de ensino (no nível Fundamental ou Médio), possuir domínio ou estar em fase de desenvolvimento da linguagem oral e apresentar desempenho em avaliação de habilidades de reconhecimento de fala no silêncio. Atendendo esses requisitos, os pais da criança deverão se dirigir à Secretaria da Educação de sua cidade e solicitarem os seus direitos.

Experiências de usuários do Sistema FM

Como exposto acima, usuários de todos os tipos de aparelhos auditivos e Implantes Cocleares e BAHA podem fazer uso dos Sistemas FM. Porém, o grau do benefício variará de acordo com a perda auditiva. Portanto, cada usuário de FM relata diferentes impressões a respeito de suas experiências no uso do equipamento, que na maioria dos casos tendem a ser positivas.

Inclusive eu que aqui escrevo, Ana Raquel Périco Mangili, tenho minha própria experiência com o Sistema FM. Possuo perda auditiva bilateral moderada a severa e sou usuária de AASI desde os meus dez anos. Percebi a necessidade de complementar minha capacidade auditiva ao entrar na Universidade. Sempre tive dificuldades em acompanhar a fala de professores e palestrantes, principalmente quando havia ruído de fundo ou quando os mestres se movimentavam muito durante a exposição do conteúdo, impedindo a minha leitura labial.

Com o uso do Sistema FM, obtive um ganho significativo em sala de aula. Minhas necessidades de contato visual com o professor e leitura labial diminuíram, pois com o FM a voz dos mestres chega aos meus ouvidos como se eles estivessem falando ao meu lado, sem a interferência da distância física. Assim, com menos esforço de concentração dedicada ao ato de ouvir, consigo fazer anotações do conteúdo ministrado nas aulas e me canso menos ao final do dia.

Já a mãe de Maryana Sobral Delasta, Andréa Sobral, relata que sua filha, de quatro anos de idade (e implantada desde o primeiro ano de vida), usa o Sistema FM há seis meses e tem um ganho muito bom com o aparelho, inclusive pedindo para usá-lo toda vez que vai à escola. Porém, Andréa faz uma observação: “O FM realmente ajuda muito os deficientes auditivos em ambientes ruidosos, já que o som chega limpo aos ouvidos. Mas se é preciso estimular o deficiente auditivo a reconhecer os sons, deve existir um limite para o uso desse instrumento. No caso da minha filha, ela só usa na escola, já que o barulho lá é intenso e ela precisa aprender e estar atenta a tudo”, afirma.

 

* Fontes das imagens: Starkey e Phonak.

 

Por Ana Raquel Périco Mangili.

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Sistema Roger – O Upgrade do Sistema FM

Assim como qualquer outro tipo de tecnologia eletrônica, os aparelhos auditivos, implantes e seus acessórios estão sempre evoluindo em busca de uma maior eficiência, miniaturização e novas funcionalidades. Um dos lançamentos dessa área é o Sistema Roger, microfone sem fio da Phonak, que promete ser a evolução dos Sistemas FM.

Tanto o FM quanto o Roger são acessórios que podem ser conectados a uma grande variedade de AASI’s e implantes para melhorar a transmissão da fala humana em ambientes ruidosos, pois através deles o som chega diretamente aos aparelhos auditivos ou implantes sem passar (e se perder) pelas barreiras físicas do ambiente.

Ambos são compostos de um transmissor e um receptor: o primeiro é o microfone propriamente dito para captar os sons, e o segundo é uma pequena pecinha que se acopla aos AASI’s e implantes para permitir que eles recebam os sons do transmissor. Explicado o princípio de funcionamento desses acessórios, vamos então falar sobre o Roger.

Avaliando o Sistema Roger

Essa nova versão do Sistema FM foi lançada no final de 2014, e sua principal inovação consiste no fato de que agora o sinal de transmissão é completamente digital. O FM, como o próprio nome já diz, depende do uso de uma frequência modulada, igual às frequências de rádio, para funcionar, o que ocasiona regularmente interferência de outros dispositivos eletrônicos em seu desempenho. Com o Roger, as interferências caíram drasticamente, permitindo uma maior constância na transmissão dos sons.

Antes de continuar esta resenha, tenho que explicar as condições em que se deu meu teste do Roger. Tenho perda auditiva neurossensorial de grau moderado a severo, quadro que é agravado por um distúrbio de movimento (Distonia), pois afeta meus músculos adjacentes ao sistema auditivo, piorando minha discriminação da fala humana. Uso AASI’s modelo intra-auricular e também o Sistema FM Smartlink+, da Phonak, nas aulas de meu curso de Jornalismo.

Adquiri meu FM no começo de 2013, e ele é um item indispensável para me ajudar no entendimento da voz dos professores do curso. Utilizo esse equipamento de três a quatro horas por dia, de segunda a sábado. Sendo assim, o foco dessa resenha será a comparação entre os modelos Smartlink+ (o FM que eu tenho) e o Roger Pen, o qual testei nas aulas por duas semanas. A Phonak também possui outros modelos de FM e Roger, que podem ser conferidos aqui e aqui.

Vamos começar falando sobre as vantagens do Roger em relação ao FM. De fato, como já foi muito divulgado, o som do primeiro é transmitido de forma mais límpida e sem muitas interferências do que o do segundo. O FM possui um ruído estático de fundo, o que pode atrapalhar a discriminação da fala para muitos usuários.

Particularmente, aprecio esse ruído do FM pelo fato de eu possuir um zumbido constante nos ouvidos, que acaba sendo um pouco aliviado pela estática do Smartlink+. Me acostumei de tal forma com esse som que, quando liguei o Roger pela primeira vez, achei que ele não estava funcionando. O silêncio e a limpidez da transmissão imperam no Roger, de tal forma que você quase nem percebe ele ligado. Eu até quis aumentar o volume dos aparelhos auditivos no começo, porque fiquei um pouco receosa com a tranquilidade auditiva que o Roger transmite, mas depois me adaptei super bem.

Para quem usa muito o FM, como eu, algumas vezes acaba experimentando uma leve dor de cabeça devido à amplificação geral e tumultuada de todos os sons. Com o Roger, eu não tive isso nenhuma vez. Mas percebi que me distraí um pouco mais facilmente na fala do professor devido a essa naturalidade do som do Roger. O FM meio que te obriga a prestar atenção só em quem está o segurando, por causa de toda a barulheira da estática da transmissão, o que também acaba cortando as vozes das outras pessoas ao redor. O Roger não: com o modo automático de direcionamento do microfone, você consegue ouvir e entender melhor as demais vozes do ambiente, e isso acaba sendo um treinamento para a sua capacidade de concentração, porque agora você tem a compreensão auditiva de quase tudo que é dito no local, como se fosse uma audição natural mesmo.

Esse modo automático de direcionamento do microfone também é outro ponto bastante vantajoso do Roger. Eu mesma pouco testei os outros modos de direcionamento do FM, porque tem que ficar fazendo isso manualmente: é um tira-e-põe FM do pescoço do professor, que incomoda todo mundo. O design do Roger também ajuda muito no seu manuseamento: ele é mais leve, mais compacto, e o fechamento do cordão de pescoço é através de ímã, com uma praticidade surpreendente.

O Sistema Roger também possui uma nova funcionalidade: podem ser pareados vários transmissores com um único receptor, formando uma rede de microfones (infelizmente não deu para testar essa possibilidade e seus benefícios). E a transmissão do sinal do Roger funciona em qualquer país, pelo fato de ser digital, ao contrário do que afirmam sobre o FM, que em alguns países a frequência do aparelho pode não funcionar (me disseram isso quando fui fazer um intercâmbio na Espanha mês passado, mas, para minha sorte e felicidade, meu FM funcionou lá, contrariando a previsão inicial).

Agora, vamos falar sobre as equivalências e desvantagens do Roger em relação ao FM. O tempo de recarga da bateria (duas horas) é o mesmo, porém, o adaptador do Roger para tais conexões é maior que o do FM. A duração da bateria do Roger Pen é bem menor que a do Sistema FM Smartlink+. Ela dura sete horas, cinco se o Bluetooth estiver ativado, contra até doze horas da bateria do FM. Como uso a função Bluetooth para conectar os microfones com meus AASI’s intra-auricular, eu tinha que por o Roger para carregar todo dia, enquanto que o FM eu posso carregá-lo a cada três dias. As baterias dos meus AASI’s também gastaram-se mais rapidamente com o Roger: eu trocava-as a cada cinco dias, enquanto que, com o FM, era a cada sete dias.

O alcance entre microfone e receptor do Roger também é bem menor do que os do FM. No Roger, a distância máxima entre um e outro é de 20 metros. Com o FM, essa distância é de até 50 metros (em ambientes abertos). O alcance do pareamento Bluetooth com o celular é menor (3 m do Roger X 10 m do FM). Por fim, não falarei de preços aqui nessa resenha, porque eles variam de acordo com o tipo de receptor necessário a cada marca de AASI ou implante que o usuário use.

Concluindo, o Sistema Roger pode ser considerado sim uma evolução das tecnologias auditivas. Estudos realizados comprovam uma melhora de até 35% em relação ao Sistema FM. Portanto, o Roger é indicado para quem deseja um som mais limpo e com menos interferência. Vale a pena experimentar!

 

* Agradeço às fonoaudiólogas Sandra Laranja, Lilian Bueno e Gisele Aquino pelo suporte dado durante o teste do Roger.

* Créditos das imagens: sites www.doof.nl e www.phonak.com.

Por Ana Raquel Périco Mangili.

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