13 - Qual é a expectativa de durabilidade e de manutenção de um Implante Coclear?

Experiências da manutenção do Implante Coclear com o passar do tempo

Estando para completar, em 2015, os vinte e cinco anos em que a primeira cirurgia de Implante Coclear Multicanal foi realizada no Brasil, nós da Equipe ADAP fizemos uma pesquisa com usuários implantados há mais de dez anos para trazermos até vocês algumas experiências envolvendo o uso do IC e sua manutenção no decorrer do tempo. Confira a seguir os resultados coletados.

A troca do componente interno do IC

Alguns relatos podem ser encontrados na seção Coluna ADAP de nosso site. Lá, temos a história da Jaqueline, a primeira implantada brasileira pelo Centrinho de Bauru/SP, que usufruiu de seu primeiro implante por vinte e três anos seguidos sem nenhuma complicação. Apenas em 2013 é que o componente interno do IC começou a apresentar problemas, e então Jaqueline passou por uma nova cirurgia para a troca do aparelho, e segue desfrutando de sua audição até os dias atuais.

Para Élen Muzy, implantada há mais de quinze anos, e que passou por uma nova cirurgia oito anos atrás, a complicação se deu devido ao fato de ter recebido um IC com um componente interno danificado, que o fez para de funcionar com pouco tempo de uso. Mas tudo ocorreu bem durante a troca e Élen não teve mais problemas após isso.

O caso de Alberto de Medeiro foi bem mais complicado devido a erros médicos durante a cirurgia, que perfurou seu tímpano e obrigou-o a passar por três outras operações posteriormente.  Já para Marineide Pereira e Luís Adriano de Castro, ambos implantados em 1991, até hoje não foi preciso nenhuma troca da unidade interna do Implante Coclear.

Os componentes externos do IC – Trocas e manutenções

Para os componentes externos do Implante Coclear, as necessidades de troca das peças tendem a ser mais frequentes, por questões de manuseio diário, quedas, umidade e até pelo constante avanço tecnológico dos processadores de fala. Em um estudo feito por Alessandra Martins Pereira em 2010 com a própria ADAP, em que foram analisadas queixas no funcionamento do componente externo dos associados, no período entre junho e agosto de 2011, concluiu-se que, das 125 queixas avaliadas, 30.70% referiam-se à quebra da antena externa, seguidas de falha de funcionamento no compartimento de pilhas (27.19%), do processador de fala (24.56%) e dos cabos de transmissão (7.89%).

As peças da unidade externa do IC costumam ter garantia de três anos, que às vezes pode ser estendida por mais um ou dois anos mediante um plano de pagamento. Após esse período, a principal queixa dos usuários se deve ao alto valor das peças de reposição. Exemplificando, uma cartela de pilha com seis unidades pode variar de R$ 18,00 a R$ 30,00 (os aparelhos consomem de duas a três pilhas a cada dois dias e meio de uso), as antenas saem em torno de R$ 900,00, e o processador de fala fica em torno de R$ 16.000,00 a R$ 30.000,00, dependendo do modelo (pelo SUS, em alguns Centros de Implante o aparelho externo é trocado, sem custo, a cada sete anos, aproximadamente). Por isso, todo cuidado deve ser tomado com o Implante Coclear no dia a dia, mantendo-o longe da sujeira, de quedas e da umidade.

Antonia Carvalho, usuária de IC há treze anos, conta sobre as manutenções pelas quais seus aparelhos já tiveram que passar. “Fui implantada pelo SUS em junho de 2001, com o Nucleus 22 e ele nunca quebrou, mas tive que trocar o cabo diversas vezes. Em 2007, comprei, com a ajuda do meu trabalho, o modelo 3G, que teve uma pane geral depois de ter ficado no desumidificador. Fora isso, funcionou bem. Em 2010, o SUS me entregou o FREEDOM, com o qual estou até hoje e, há um ano, tive que manda-lo para a POLITEC, pois o botão de volume desgastou e não funcionava mais. Levo-o na POLITEC anualmente para limpeza e o aparelho não me dá maiores problemas do que os relatados. Mas acho os gastos com pilhas, baterias e cabos absurdos, e fico imaginando como as pessoas que tem renda familiar de um salário mínimo conseguem manter o aparelho. Deve ser uma tristeza!”, afirma.

Jakke Miranda, que foi a primeira criança brasileira implantada aos sete anos no Centrinho/USP, em 1991, também relata as suas trocas e manutenções dos aparelhos. “Perdi a audição aos seis anos, desde então comecei a ir para Bauru, e com sete anos eu já implantei. O primeiro aparelho que usei foi o Spectra 21, hoje estou com o Nucleus 5 e estou ouvindo muito bem, graças a Deus. Quando eu estava com os outros modelos de aparelhos, que tinha uma caixinha presa à roupa, eles tiveram alguns defeitos, assim como nos fios, baterias e etc. Já faz  23 anos de alegria de ouvir com o Implante Coclear, e agradeço a Deus e a todos da equipe de Bauru que fizeram a minha cirurgia”, diz.

Karine Soares, implantada que está cursando Fonoaudiologia, apesar de possuir apenas cinco anos de uso do IC, faz questão de mandar o aparelho regularmente para verificação e manutenção na fábrica. “Nunca tive problema com meu IC. Já usei o FREEDOM e atualmente uso o Nucleus, e eles nunca quebraram. Levo para manutenção uma vez por ano enquanto está na garantia”, conta.

A umidade nos componentes externos do Implante Coclear costuma ser uma das principais causas da disfunção dos aparelhos, como nos mostra a experiência de Lucas Carvalhais. “Sou implantado desde fevereiro de 1998. Implantei em Bauru-SP e o meu primeiro aparelho foi o Nucleus 24. Em 2006, troquei meu aparelho para FREEDOM Nessa época eu tinha 12 anos. Assim como o antigo, tive boas experiências com o FREEDOM, principalmente na qualidade de som. Entretanto, houve dia em que fui obrigado a encarar a chuva porque ia com minha irmã à faculdade dela. Ao invés de parar e me deixar na porta que era coberta, paramos longe e fiquei encharcado porque estava sem guarda-chuva. O resultado foi que meu FREEDOM ficou todo danificado e chiava demais por causa da umidade. Nem o desumidificador solucionava, o que me obrigou a leva-lo para a POLITEC para consertar. Após o conserto, o IC continuava chiando, mas bem menos. Acabei pegando “trauma” do FREEDOM, porque quando eu o colocava, ele chiava demais, mesmo que ficasse no desumidificador, além do som vir cada vez mais alto”, conclui Lucas.

 

* Foto: arquivo pessoal da entrevistada.

 

Por Ana Raquel Périco Mangili.

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