22 - Quais são as expectativas para o desenvolvimento auditivo e de fala das crianças implantadas?

O progresso com o IC: saiba como funciona e quando se preocupar

Nós sabemos que o desenvolvimento com o implante coclear não acontece de forma fixa ou linear. Nem é magicamente que aparecem as habilidades de linguagem, fala e audição. Além disso, o progresso varia de pessoa para pessoa e de acordo com fases de crescimento de cada indivíduo. Estar em constante treinamento auditivo e sempre atento ao progresso que é desenvolvido são pontos importantes para serem observados.

Como funciona o progresso?

Aprimorar as habilidades de fala, linguagem e audição depende de uma interação incrivelmente complexa entre o ouvido, a boca, o cérebro e o próprio ambiente. A maioria dos adultos fluentes na fala não se lembram como foram ensinados a desenvolver a linguagem: esse parece ser um processo simples e natural. Mas ao olharmos os bastidores, é possível entender que o desenvolvimento dessas habilidades é complexo, principalmente para quem tem algum problema de audição.

Ao observar o desenvolvimento da audição ou fala de uma criança, percebemos que às vezes existem períodos nulos, quase sem nenhum progresso, enquanto em outros momentos há “saltos” enormes nesse aprendizado. Estes saltos são emocionantes, enquanto a falta de progresso é decepcionante. No entanto, todas essas situações são bastante normais.

Em alguns momentos, esse período de pouco progresso acontece quando a criança está “ocupada” em busca de outra conquista. Por exemplo, alguns bebês diminuem a produção de sons enquanto estão treinando seu olfato e melhorando este sentido. O pequeno cérebro do bebê tem a sua disposição uma infinidade de recursos. Assim, as crianças tendem a colocar toda sua energia em um só lugar enquanto estão se esforçando para aprender alguma habilidade. Em outros casos, os “períodos nulos” podem ser justificados como um tempo para a criança receber uma nova informação e processá-la. Lembre-se que o conhecimento receptivo (entender) precisa vir antes do uso expressivo (falar uma palavra, um som ou uma frase estruturada).

Em outras crianças todo esse processo é diferente: o progresso dela parece crescer constantemente, sem pausas ou saltos esporádicos. Seja em uma velocidade alta ou baixa, está sempre se desenvolvendo. Essa também é uma situação bastante normal e simples.

Um pouco de regressão é normal?

É possível observar um pequeno retrocesso no desenvolvimento da linguagem, fala ou audição quando a criança passa por uma grande mudança na vida, como a chegada de um novo irmão ou a mudança para uma nova casa. Isso é bastante normal desde que se resolva com o tempo. Uma mudança na tecnologia de audição (sair do AASI para o IC, por exemplo) também pode ter um efeito parecido. A regressão também pode ser um indicativo de um problema com essa tecnologia, a criança pode estar precisando de um novo mapeamento, por exemplo.

Quando as crianças estão aprendendo as primeiras palavras, é comum ela falar uma palavra uma vez e não dizer mais nada durante alguns dias. Não há motivos para se preocupar: uma coisa é falar algo uma vez (pode ser até por sorte ou um mero palpite), outra coisa completamente diferente é dominar essa habilidade e colocar essa palavra em seu repertório. No entanto, se você ouvir algumas palavras e, de uma hora para outra, a criança não falar mais nada, isso pode ser um sinal de outros problemas no desenvolvimento. Seu fonoaudiólogo pode identificar algum problema ou indicar outros profissionais (como um neurologista) quando for necessário.

Como medir o progresso?

Todos queremos o progresso, então precisamos de dados para estar no controle da situação e ter certeza de que isso está realmente funcionando. Avaliações regulares (seja por testes padronizados ou personalizados) devem ser administrados regularmente para garantir que a criança está mantendo o ritmo. A regra geral é: mais de um mês de progresso em um mês. Crianças com perda auditiva começam em desvantagem e, mesmo se eles receberem o implante coclear nos primeiros meses de vida, eles ainda terão menos experiências auditivas que crianças ouvintes (que começam ouvir por volta de 20 semanas antes de nascer). Assim, não podemos nos contentar com um progresso devagar, porque isso significa que a criança nunca vai superar a lacuna e conquistar uma audição apropriada à sua idade.

Qual é o objetivo final?

Nossa meta é que a criança atinja níveis de fala, audição, linguagem, cognição e habilidades sociais equivalentes a crianças ouvintes de sua idade. Parece bom demais para ser verdade? Estudos já mostraram que isso não só PODE acontecer como VEM acontecendo.

É claro que existem exceções para todas as regras. No caso de uma criança com múltiplas e severas deficiências ou atrasos intelectuais, não é realista esperar que ela desenvolva as mesmas habilidades de uma criança de sua idade. No entanto, o progresso ainda é possível: para essas crianças o objetivo é que suas habilidades se equiparem a de outra criança com uma mesma deficiência. Por exemplo, uma criança com Síndrome de Down e deficiência auditiva pode não desenvolver habilidades de fala como uma criança sem deficiências de sua idade, mas pode trabalhar para estar no mesmo nível que uma criança com Síndrome de Down de sua idade. Não importa qual seja a condição da criança, é preciso se esforçar bastante para conquistar uma comunicação que seja a melhor possível dentro de seu potencial e ao mesmo tempo funcional, que sirva para suprir as necessidades sociais e de aprendizagem de cada dia da criança.

Crianças que foram identificadas com deficiência auditiva tardiamente (depois do primeiro ano de vida) podem encontrar desafios maiores com o progresso. Para elas, a história de fazer um progresso maior do que o de um mês no período de um mês é ainda mais crucial, porque o espaço entre essa criança e uma outra ouvinte de sua idade é ainda maior. 

E como é o progresso de adolescentes e adultos que estão aprendendo a ouvir?

Jovens e adultos não estão excluídos do progresso! Assim como as crianças, eles também possuem “períodos nulos”, saltos enormes ou uma subida constante durante seu desenvolvimento. É importante possuir um plano de reabilitação integral, para que os ouvintes mais velhos tirem o maior proveito possível de seus aparelhos.

Enquanto jovens e adultos já podem possuir um sistema de linguagem, o “novo sistema auditivo” que eles receberam com o implante coclear deve ser ajustado com paciência e prática. Lembre-se que a audição pode – e deve – ficar melhor de acordo com o tempo e com o treinamento auditivo.

Por Renan Fantinato.

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