27 - Como são os programas públicos de Implante Coclear de outros países?

Programas de IC pelo mundo: como tudo funciona fora do Brasil

Independente da qualidade dos serviços, o Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável por custear a cirurgia e o implante coclear de todos os deficientes auditivos, desde que eles passem pelos critérios básicos estabelecidos. Ainda existe uma grande polêmica em relação à manutenção dos aparelhos, pois mesmo com a publicação da última Portaria, o SUS ainda não garante este direito. Assim, os próprios implantados são responsáveis por pagar por peças, reparos e manutenção.

Mas você já parou para pensar como os governos de outros países lidam com a questão do implante coclear? Será que o sistema de saúde de países mais desenvolvidos garante mais benefícios a população? Para resolver essas dúvidas, conversamos com usuários de implante coclear de 5 países diferentes. Cada um deles contou um pouco de sua experiência e explicou brevemente como funciona o programa de IC de seu país:

Alemanha

Os alemães têm um programa de saúde que difere da maioria dos outros países. Lá, existe um convênio de saúde compulsório. Isso significa que todo cidadão é obrigado a pagar por ele, como se fosse um imposto. Porém, como todos pagam, o valor desse convênio costuma ser bem iferior ao de outros países. “Quando você é menor de 18 anos, o convênio cobre todos os serviços por você. Quando você se torna maior de idade, você precisa pagar por alguns benefícios extras”, explica a alemã Katja Mini.

Porém, segundo Kadja, todos os custos relacionados ao IC são cobertos por este convênio, e isso inclui a operação, o acompanhamento médico, o tratamento hospitalar, o próprio implante com todas as peças de reposição que você precisar no futuro e mais 25 consultas de reabilitação (cada consulta ainda inclui uma audiometria e uma visita feita pelo terapeuta de fala).

Diante destes benefícios, Kadja se mostra satisfeita com esse sistema de saúde: “Devo admitir que esse sistema é realmente ótimo. Neste sentido, sou muito feliz de morar aqui”, comenta ela.

Austrália

Embora a Austrália tenha o segundo maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo, a assistência médica relacionada ao IC só é boa para aqueles que possuem dinheiro para pagar por um convênio: “Não existe um programa de saúde relacionado ao implante coclear, então o jeito é recorrer aos convênios”, explica Lauren Griffin, australiana implantada.

Foi justamente através de um convênio particular que Lauren conseguiu seu implante: “Meu convênio permite que eu consiga um novo processador a cada 5 anos. Pago cerca de 500 reais mensais por ele, que, obviamente, cobre muito mais do que o IC”.

Lauren possui uma “Carteirinha de Audição”, fornecida pelo governo exclusivamente para deficientes auditivos. Através dela, Lauren não precisa pagar por nenhum custo de conserto ou manutenção. Porém, não são todos os deficientes auditivos que conseguem obter essa carteirinha: “Antigamente, quase todos eram aprovados e conseguiam esse benefício. Hoje em dia, apenas aqueles que não são aptos a trabalhar por causa da deficiência é que conseguem a carteirinha”, explica ela. Assim, quem não possui esse benefício, precisa pagar por todos os custos de manutenção.

Canadá

Dos países pesquisados, o Canadá é aquele que possui o sistema mais parecido com o do Brasil. Lá, o governo também cobre 100% da cirurgia e do aparelho. O sistema público também só paga por um implante, apesar desta ser uma regra que varia de província para província. Em Quebec, por exemplo, o Estado paga também pelo implante bilateral.

Assim como no Brasil, a maioria dos processadores também tem 3 anos de garantia, mas depois disso o implantado tem que pagar por todos os custos com manutenção. A vantagem é que, no Canadá, caso você precise que o processador seja substituído, o governo arca com cerca de 75% do valor do aparelho.

A canadense Janet Wilkinson aprova o sistema se saúde, porém faz uma ressalva que também ouvimos muito por aqui: “A única coisa que não gosto é o fato de não estar apta a receber o segundo implante com a cobertura do governo, pois estou perdendo a audição do meu outro ouvido, e logo meu aparelho auditivo não vai mais ter efeito”, lamenta Janet.

Dinamarca

Conhecido como um país que garante alta qualidade de vida, a Dinamarca parece oferecer boas vantagens ao usuário de implante coclear: “Por aqui tudo é de graça, através do sistema público de saúde. No entanto, isso significa apenas um processador, sem direito a backup, e com troca a cada 7 anos”, explica a dinamarquesa Cecilie Cederberg.

Segundo Cecilie, o governo dinamarquês ainda cobre todos os custos de manutenção, conserto e bateria. Por fim, os dinamarqueses ainda tem direito a um mapeamento por ano.

Estados Unidos

Mais de 100 mil pessoas possuem um implante coclear nos Estados Unidos. Apesar do alto número, o programa de implante coclear não parece ser tão vantajoso, pelo menos para quem não possui um convênio particular. Esse é o caso de Mallory Watts, que recebeu do governo a cirurgia do IC, mas teve que pagar por todos os remédios pós-cirúrgicos e por toda a terapia que veio na sequência.

“Já tive cinco falhas no IC. A empresa responsável me ajudou e me orientou em todos os casos, mas os custos de manutenção foram todos por minha conta”, explica Mallory. Para ela, o sistema de saúde americano precisa de uma reforma urgentemente: “É preciso ter uma assistência média universal nos EUA. O presidente Obama tentou fazer isso, mas, para muitos americanos, ele acabou fracassando”, conclui ela.

Por Renan Fantinato.

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