55 - Dicas para facilitar a comunicação com um deficiente auditivo

Dia do deficiente auditivo: Como falar com quem não ouve?

No dia 26 de setembro comemora-se o "dia do deficiente auditivo" e quando se fala neles, algumas dúvidas surgem na cabeça das pessoas. A maior dúvida provavelmente se refere à melhor forma de comunicar-se com eles.

Antes de qualquer coisa, é importante saber que existe mais de um tipo de deficiente auditivo.

Existem os considerados apenas deficientes auditivos que, tal como diz o nome, possuem algum tipo de perda auditiva de leve a severa e que geralmente utilizam aparelhos auditivos comuns. Com esse grupo, basta falar um pouco mais alto, mas não a ponto de gritar, porque o aparelho já ajuda muito. E, mais importante, espere ele lhe avisar pra aumentar a voz, caso necessite.

Além deles, existem os surdos usuários da Língua de Sinais, antigamente denominados erroneamente como surdos-mudos. Muito embora a maioria tenha voz no sentido físico, não costuma usá-la ou porque não aprendeu o necessário ou porque não gosta. Este grupo possui uma língua própria, chamada Língua Brasileira de Sinais ou simplesmente LIBRAS. Uma boa parcela nasceu surda ou perdeu a audição antes da formação plena da fala. Embora haja quem tenha perdido a audição com mais idade, porém se identifica mais com a LIBRAS do que com a linguagem oral.

A língua de sinais não é igual ao português, tem morfologia e sintaxe próprias, é um idioma independente. Não pense que basta aprender os sinais pra falar LIBRAS. Como qualquer outra língua, é preciso estudar a gramática e estruturação da frase pra dominar esta língua. A LIBRAS é reconhecida por lei como forma de comunicação e expressão das comunidades surdas do Brasil.

Porém nem todo surdo utiliza a LIBRAS. Há também um grupo grande, bem menos conhecido, formado pelos surdos oralizados. Eles se comunicam através da fala oral, leem os lábios e podem ou não usar próteses auditivas.

Este grupo é composto por surdos adquiridos após a aquisição plena da fala (chamada surdez pós-lingual) ou surdos de nascimento que aprenderam a falar através do uso de próteses auditiva e trabalho com fonoaudiólogos.

Quando esses também falam a língua de sinais, são chamados de surdos bilíngues.

Por conta dessa diversidade, aí vão algumas dicas para facilitar a comunicação com deficiência auditiva em geral.

  1. Fale devagar, mas com naturalidade. Não adianta falar separando as sílabas ou articulando demais. Além de você acabar fazendo careta o tempo todo, você pode acabar perdendo a linha de pensamento.
  2. Fale de frente pra a pessoa com deficiência auditiva. Se você precisar virar a cabeça, faça uma pausa. Cada sílaba ou palavra perdida que podem alterar completamente o sentido da conversa.
  3. O volume da voz deve ser de acordo com a perda de audição da pessoa. Claro que nem sempre dá para adivinhar, então comece falando com o seu tom de voz habitual. Se necessário, a pessoa te avisa que precisa que você fale um pouquinho mais alto, mais baixo ou mantenha do jeito que está. Além do mais, se a pessoa tem surdez quase total, o volume pouco importa, porque ela apenas lê seus lábios.
  4. Surdo sinalizado geralmente lê os lábios pelo menos um pouco. Se você perceber ou souber que o surdo é usuário exclusivo da LIBRAS e realmente precisar falar com ele, fale de maneira simplificada. Ele provavelmente irá te entender e responder como puder (falando oralmente, por sinais ou até escrevendo).
  5. Se o surdo usuário da LIBRAS estiver acompanhado de intérprete, dirija-se a ele e não ao intérprete.
  6. Surdos oralizados falam oralmente, tal como diz o nome. Achar que todo surdo fala LIBRAS é um equívoco. Muitos não sabem ou não tem interesse de aprender. Com eles, você pode falar normalmente. Cabe a ele falar e não a você deduzir, caso não esteja entendendo. A voz dele pode soar estranha pra quem não está acostumado com ela, mas ele sabe disso, fique tranquilo. Apenas tenha boa vontade e não se envergonhe de pedir pra ele repetir, caso você não entenda alguma coisa.
  7. Não tenha medo de cometer gafes com figuras de linguagem. “Você está me ouvindo” “Nossa, você já tinha ouvido falar nisso?” “Ei, ouve essa...” não há problema nenhum.
  8. Como a deficiência não é visível, surdos/deficientes auditivos algumas vezes se passam por pessoas antipáticas. Se, por ventura, você se deparar com uma pessoa que não te responde quando você fala com ela de costas, existe alguma chance dela não ter boa audição. Na dúvida, pergunte.
  9. Para chamar um surdo, você precisa de algum sinal visual ou tátil. Você pode abanar as mãos, acender e apagar uma luz ou até tocar o ombro dele de leve. Jamais dê um cutucão com força ou um tapa agressivo.
  10. Surdos não se casam apenas entre si. Se você tem curiosidade de saber se o(a) namorado(a)/cônjuge dele(a) é surdo também, pergunte. Chegar falando com a outra pessoa como se ela também fosse surda, é indelicado.
  11. Não fale mastigando. Além de não ser educado, a mastigação atrapalha bastante a leitura labial, tornando os lábios ilegíveis. Não adianta insistir. Termine de mastigar e, só aí, conclua a conversa.
  12. A iluminação é um fator que influencia muito a leitura labial. Se a iluminação ambiente não for adequada, vale qualquer improvisação: isqueiro, lanterna e até a luz do celular.
  13. Espelho é um grande aliado nessas horas. Se você estiver no banco da frente de um carro, por exemplo, e quiser falar com um surdo oralizado ou deficiente auditivo no banco de trás, posicione o espelho retrovisor de modo que ele visualize sua boca.
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