Dra. Angela Rubia Oliveira Silveira

A Dra. Angela Rubia Oliveira Silveira é graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), tem residência em Otorrinolaringologia pela UNICAMP e pelo Fellow House Ear Institute, é médica assistente de ORL na UFMT e professora de Medicina na UNIVAG (MT). Atua como médica cirurgiã otológica de Implantes Cocleares no SUS e na clínica Centro Otorrino. A seguir, ela expõe o seu ponto de vista médico acerca da implantação tardia em pacientes com surdez pré-lingual.

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O Implante Coclear em casos tardios

É um prazer participar com a ADAP na disseminação de informações sobre o Implante Coclear em nosso país. Um tema muito polêmico é a cirurgia tardia em paciente com surdez pré-língual. Pré-línguais são pacientes que não adquiriram a audição na infância, e podem ou não ter desenvolvido diferentes graus de oralização posteriormente.

Isto é polêmico, no meu ponto de vista, porque todos os pacientes deveriam ter o direito à reabilitação auditiva, mesmo que os resultados sejam diferentes para esse perfil de paciente, e mesmo que ele tenha que manter a LIBRAS e nunca seja totalmente oralizado. O pouco de sensação auditiva que este paciente pode ter com o Implante Coclear já será de muita vantagem para ele em atividades simples, como perceber o lado em que o carro está se aproximando para atravessar a rua, por exemplo.

Tanto pelo SUS como pelos convênios, pacientes pré-línguais tardios não totalmente oralizados não estão nos critérios para receber um IC, segundo a ABORLCP. Acredito que isso ocorra mais pela característica do nosso país de subdesenvolvimento. Em países de primeiro mundo, como na Europa, as indicações para o IC são mais abertas. Porém, quando se trata de uma cirurgia feita por meios particulares no Brasil, a indicação é mais livre, mas poucos pacientes conseguem pagar o tratamento completo.

É muito importante deixar claro para o paciente e para a família que desejam receber um IC mesmo tardiamente, que os resultados são muito variados, podendo ser somente de sensação de sons auditivos ou, às vezes, até de discriminação de algumas palavras.

Se o paciente e a família entendem esse grau de resultado como satisfatório, podemos ter bons candidatos à cirurgia tardia do IC. Outro ponto relevante é deixar claro que a cirurgia é somente o inicio do processo, pois a jornada é longa. Quanto mais o paciente tiver disponibilidade de tempo para a reabilitação auditiva , melhor será o resultado com o IC.

É importante deixar claro também que o paciente que vai para a reabilitação auditiva não precisa necessariamente deixar de aprender ou de usar outra língua, como a LIBRAS. Uma coisa não exclui a outra. Na verdade, se complementam. E áreas semelhantes do córtex cerebral são ativadas tanto na linguagem oral quanto na de sinais. 

Como médica, acredito que todo paciente tem direito à reabilitação auditiva que ele queira ou que lhe seja necessária. O resultado que se dizem “pobre” com o Implante Coclear para um paciente pode ser muito rico para outro. O mais importante é ser claro para a família e para o paciente a respeito do que eles podem esperar acerca de tais resultados.

Lembrando também de que riscos cirúrgicos sempre existem para qualquer indicação de Implante Coclear. Pacientes com um dispositivo implantado na cóclea podem ter riscos imediatos à cirurgia, como infecção da pele, sangramento, paralisia facial, entre outros, e complicações mais tardias, como infecções do dispositivo interno, meningites. Mas todas estas complicações são raras de acontecer, e a mais comum, que são infecções no sitio cirúrgico, são relativamente fáceis de resolver. Como médica, coloco para o paciente todos estes pontos e pesamos juntos na balança com os possíveis resultados para assim decidimos. Cada paciente é único e devemos individualizar bem a indicação do IC nos pacientes pré-línguais tardios.

Agora, falando também como mãe, além de médica, uma opinião pessoal: acredito que todo tipo de tratamento que estivesse ao meu alcance, eu proporcionaria ao meu filho, mesmo sabendo que os resultados seriam um pouco limitados.

Por Dra. Angela Rubia Oliveira Silveira”.

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