O usuário de Implante Coclear e jornalista Thalison Silva, juntamente com a Emotion Produções, desenvolveu o documentário “Implante Coclear – Eu escolhi ouvir”, que foi apresentado ao Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino (Unifae) como Trabalho de Conclusão do Curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo.

A produção conta a história de cinco pessoas que optaram pelo Implante Coclear, aparelho que permite ao indivíduo ter uma vida com qualidade auditiva. A obra também traz informações sobre a surdez, o passo a passo de como uma pessoa pode se candidatar ao implante, histórias emocionantes, e o ápice do documentário fica por conta do momento de ativação do implante do Otávio, entrevistado que passou mais de 12 anos sem ouvir. O trabalho foi aprovado com a nota máxima na banca final. Confira o vídeo-documentário, na íntegra e com legendas, no Youtube.

A ADAP entrevistou Thalison Silva para saber um pouco mais sobre o processo de produção do documentário. Acompanhe abaixo nossa conversa!

ADAP: Thalison, por que você escolheu o curso de Jornalismo para exercer uma profissão?

Thalison Silva: Sempre fui apaixonado por TV. Quando era pequeno, pedi pra minha mãe um microfone, ela comprou e eu sempre arrancava o fio, para parecer com um microfone sem fio. E com este microfone eu saía pelos cantos da casa, falando nada com nada, e na rua de casa eu ficava brincando de entrevistar os amigos, inclusive eu imitava desde programas jornalísticos, de culinária e até de auditório. Então sempre tive esse gosto por TV.

Por volta dos 10 ou 11 anos, eu já sabia que queria fazer jornalismo. Até que, em um determinado momento, eu deixei de lado este desejo, porque eu estava tendo dificuldade de ouvir corretamente o que as pessoas falavam e achava que não teria a capacidade de exercer a função de jornalista. Aos 15 anos, eu fiquei na dúvida se realmente faria jornalismo, e administração era a segunda opção, Mas, nesta época, já surgiu aquele convite: “Você quer operar (colocar um Implante Coclear)?”. Nem pensei duas vezes e disse sim. Depois fui encaminhado para Campinas no processo pré-implante e neste meio tempo decidi firmemente que queria fazer jornalismo.

ADAP: Como surgiu a ideia de fazer um documentário sobre o Implante Coclear como TCC? Quando você começou a desenvolver o projeto e quando terminou?

Thalison Silva: Até 2014, já no terceiro ano de faculdade, eu já estava querendo fazer vídeo-documentário sobre o IC. Porém, eu não tinha contato com um grande número de pessoas que pudessem participar do meu trabalho. Conhecia somente o Rodrigo Martins, que operou, ativou e fez os mapeamentos junto comigo, além das outras pessoas que eu fui conversando nas salas de esperas da Unicamp, mas a maioria era de cidades ou de estados distantes, o que dificultaria o processo de produção do documentário. Até que, no meio do ano, entrei em um grupo no Facebook e surgiu um convite do Roner Dawson Barbosa de participar de um encontrinho no Shopping Dom Pedro, de Campinas. Fui e fiquei encantado com dinâmica do encontrinho, pensei: “Agora sim tenho histórias para contar”. Então apresentei minha proposta para uns colegas, e acabou não rolando.

A princípio, eu iria fazer um livro reportagem. A faculdade contratou o Marcos Cripa, da PUC/SP, que foi diretor de jornalismo do SBT, para me orientar e dar algumas aulas para minha turma. Ele me disse que meu trabalho teria potencial para vídeo, tentando me convencer a fazer documentário. Era o que eu queria, porém, estava inseguro se daria conta ou não. Mas, devido a alguns problemas pessoais, tive que trancar a matrícula na faculdade, infelizmente. Voltei em 2016 mais seguro, mais disposto, desta vez com orientação de José Dias Paschoal Neto e a mesma proposta: transformar o trabalho em vídeo. Pedi uns dias para pensar, e planejar, pesquisar se seria viável ou não. Comecei a produzir em maio de 2016 e finalizei na última semana de outubro. Graças a Deus consegui e deu tudo certo! 

ADAP: Quais desafios você encontrou durante a produção, e como contornou tais obstáculos?

Thalison Silva: No começo da produção do roteiro, a dificuldade era achar profissionais dispostos a explicar o Implante Coclear. Mas, graças a Deus, o Dr. Paulo Porto, da Unicamp, prontamente se dispôs a gravar a entrevista e indicou a Fonoaudióloga Luciane Calonga, e eles deram excelentes explicações, claras e precisas sobre o implante e a saúde auditiva. Quanto aos desafios, eu tive muitos personagens na minha mente e no roteiro, então meu orientador disse que eu teria que filtrar e selecionar as histórias, senão não caberia no tempo estipulado pelo regulamento de vídeo-documentário da faculdade. Além disto, o mais desafiador foi assistir as quase 6 horas de gravação bruta (entre entrevistas e imagens) e selecionar as falas mais importantes. Para mim, todas foram importantes. Se dependesse de mim, o produto teria mais de uma hora.

No vídeo do Otávio Rocha, eu queria muito colocar a ativação dele, porque eu me vi no lugar dele, queria passar essa emoção para as pessoas, e foram meses de edição do material. Quando chegava na parte dele, eu chorava a cada vez que a via. Como eu vi na internet o vídeo dele, eu não poderia simplesmente pegar e jogar no meu trabalho, eu teria que pedir autorização por escrito. Então, esse desafio de encontrar a Kátia e o Otávio durou quase dois meses. E eu queria entrevistar eles, mas não tinha tempo hábil e grana para ir até Boa Vista/RO para entrevistar. Então, a primeira coisa que pedi para a Kátia foi que me enviasse um áudio contando a emoção da ativação do Otávio, que juntando com as imagens, foi muito emocionante.

ADAP: Você teve novos aprendizados com esse projeto e com as pessoas que entrevistou? Sente-se realizado agora?

Thalison Silva: Muitos! O principal deles é aprender respeitar a individualidade de cada um. Cada um tinha uma maneira de falar, de se expressar, de contar suas histórias e, principalmente, de se comportar diante das câmeras. A minha mãe, por exemplo, não gosta muito de tirar fotos, muito menos de gravar. Meu orientador queria que eu fosse um personagem da história e ele quase teve que vir em casa convencer minha mãe para falar. No dia da gravação, tivemos que gravar algumas vezes as mesmas perguntas até que ela se sentisse a vontade.

Outra coisa que aprendi foi sobre a prática do jornalismo. Na faculdade, ficamos restritos ao campo acadêmico, e neste projeto eu pude colocar em prática muitas coisas que aprendi em quatro anos de estudo, como roteiro, entrevista, edição, ética, entre outras coisas.

Me sinto muito realizado agora. Uma sensação de dever cumprido. Por mais que tivesse a pressão da faculdade por conta dos prazos e regras, esse trabalho foi extremamente prazeroso.

ADAP: Que mensagem você gostaria de deixar aos telespectadores ou demais usuários de Implante Coclear?

Thalison Silva: Eu repetiria uma mensagem que a Fonoaudióloga Luciane Calonga me disse e eu nunca esqueci: “O sucesso do Implante Coclear depende das informações que você adquire sobre ele”. Então, antes de qualquer medo, insegurança ou dúvida, se informe! Busque histórias de sucessos, exemplos e se permita viver essa emoção. E é para isso que o documentário “Implante Coclear – Eu escolhi ouvir” está à sua disposição.

 

 * Imagens cedidas por Thalison Silva para divulgação.

Por Ana Raquel Périco Mangili.