COLUNA ADAP 


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Esta seção do site será um espaço dedicado a você! Visando a uma maior integração de nossos associados, parceiros e amigos, sua participação é muito valiosa para nós da Equipe ADAP. Aqui, buscaremos trazer matérias de cunho humanístico e opinativo, entrevistando membros da comunidade dos deficientes auditivos e associados da entidade que possam compartilhar suas histórias e desafios de vida, assim como incentivaremos o debate sobre os mais variados assuntos que fazem parte do cotidiano da comunidade de implantados brasileiros. Esperamos que a Coluna ADAP possa lhe proporcionar o contato com outras realidades vividas e inspirar o seu dia-a-dia.

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Um grande abraço, 

COMO PARTICIPAR

Na Coluna ADAP de hoje, trouxemos a história de Jacqueline Heloise Santos de Santana, contada por ela mesma. Jacqueline é moradora de Presidente Prudente/SP, tem perda auditiva de grau severo à profundo causada por uma Meningite na infância e está em processo de se receber um Implante Coclear através do SUS. Confira a seguir o seu relato.

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Minha vida

Nasci no dia 26/12/1980, na cidade de Presidente Prudente. Sou filha do senhor Aparecido e da dona Alice. Fui criada na casa das minhas avós, pois meus pais tinham que trabalhar para o nosso sustento. Sempre fui uma criança alegre, brincalhona e gostava de acompanhar meus pais nos shows pela cidade e nas regiões, ouvir músicas naquela época. Gostava muito da Xuxa e do Balão Mágico. Meus pais eram músicos desde que se casaram.

Aos cinco anos de idade, tive uma infecção no ouvido, que mais tarde descobriu que se deu por Meningite Meningocócica viral. Quase morri, pois já tinha se passado 48h da incubação da doença. Meus pais nunca desconfiaram de nada mais grave, pensaram que, por eu estar sempre febril, fosse apenas uma virose ou gripe. Mas eles me levaram a tempo para o hospital e logo comecei o tratamento. Foi um baque muito forte para eles saber da minha doença, ainda mais por ela ser tão grave que, se não tratada a tempo, poderia levar a morte. Foi muito sofrido, porque eu tive que ficar isolada num quarto de hospital para o tratamento (a Meningite é uma doença contagiosa), apenas médicos e enfermeiros preparados podiam entrar no quarto.

Na graça de Deus, me curei e voltei para casa. Porém, chegando lá, meus pais notaram que eu não respondia aos chamados deles, e me levaram de volta ao hospital. O médico que cuidou do meu caso me examinou e constatou que tive sequelas da doença, que foi a perda da audição em ambos os ouvidos. Meus pais ficaram tristes, mas deram graças por não ter sido algo pior. Com isso, começou a batalha para que eu pudesse recuperar a minha audição: médicos especialistas, exames fora da cidade, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, etc.

E eu crescendo a cada dia, vivendo como uma criança e adolescente normal. Estudei do primário até o colegial em escola pública, convivendo com as pessoas. Enfrentei muitos obstáculos, como o Bullying e o preconceito por ser deficiente auditiva. Tive que aprender a me socializar para que não ficasse excluída. Quando eu tinha 16 anos, faleceu a minha mãe, de uma leucemia grave. Eu sofri bastante, pois ela era o meu porto seguro, me entendia, compreendia, tinha muita paciência comigo em me ensinar as palavras certas e a responder por mim em situações em que eu não compreendia muito bem as coisas ao meu redor. Eu entrei em depressão, mas tive o apoio dos familiares e de alguns colegas de escola para superar.

Depois de um tempo, meu pai casou de novo e tive uma irmã, a Júlia, hoje uma adolescente de 18 anos que é tímida, muito amorosa, carinhosa, esforçada e inteligente, da qual tenho muito orgulho, porque eu sempre achei que nunca teria uma irmã, pois eu era a filha única. Ela me aceitou muito bem com a deficiência auditiva, inclusive até me ajuda em algumas coisas. Comecei a trabalhar aos 21 anos de idade, meu primeiro emprego foi em uma indústria de artigos para festas, fiquei oito anos por lá. Depois, fui morar em São Paulo, na região de Guarulhos, e a partir daí foi que tive maior contato com o meio corporativo e me tornei Agente Administrativa.

Hoje tenho 35 anos, sou casada com Oscar Ferreira (42 anos), trabalho e ainda pretendo voltar à faculdade de Administração, área no qual escolhi graças a experiências profissionais e aconselhamento de profissionais de carreira. Atualmente, estou aguardando resultados dos exames médicos para a cirurgia do Implante Coclear no Centrinho de Bauru (HRAC), para melhorar a minha audição, que é surdez bilateral com perda severa a profunda. Faço muita leitura labial e pouco uso da LIBRAS. Sou muito feliz, ainda falta pouco para completar a minha realização profissional e pessoal, que conseguirei com muito esforço, garra, determinação e com fé em Deus.

Jacqueline Heloise Santos de Santana”.

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